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Confie mais no cirurgião que te diz NÃO

No universo da cirurgia plástica, vivemos em uma era onde muitos buscam soluções imediatas a qualquer custo. O desejo por uma mudança no corpo ou no rosto é legítimo, mas existe um limite biológico e de segurança que jamais deve ser ultrapassado. Por isso, uma das maiores demonstrações de ética, responsabilidade e respeito à vida de um paciente é saber dizer não.

Muitas vezes, negar uma cirurgia plástica é a decisão mais correta que um cirurgião pode tomar. Entenda por que a contraindicação existe e por que você deve valorizar o profissional que prioriza a sua integridade em vez do procedimento a qualquer preço.

A importância de contraindicar cirurgias em problemas de saúde prévios

A cirurgia plástica estética é um procedimento eletivo. Isso significa que ela deve ser realizada em condições ideais de saúde para que os riscos sejam minimizados.

Pacientes com histórico de tromboses, embolias ou problemas cardíacos graves enfrentam um risco significativamente maior de complicações sérias no per e pós-operatório. A agressão cirúrgica, combinada ao tempo de repouso, pode desencadear novos episódios vasculares gravemente comprometedores ou sobrecarregar um sistema cardiovascular já fragilizado. Nesses casos, o risco à vida supera amplamente qualquer benefício estético. A vida e a saúde do paciente sempre virão em primeiro lugar.

O perigo dos excessos de procedimentos estéticos na face

Outro cenário cada vez mais frequente no consultório são os pacientes que chegam buscando um lifting facial após realizarem múltiplos procedimentos injetáveis ou invasivos na face e no pescoço (como fios de sustentação, bioestimuladores de colágeno e endolaser).

Embora vendidos como “não cirúrgicos”, esses procedimentos criam um processo inflamatório intenso nas camadas profundas da pele, gerando fibrose (tecido de cicatrização interno rígido). Quando tentamos operar um rosto nessa condição:

  • Risco de necrose da pele: A vascularização local fica alterada devido à fibrose excessiva, fazendo com que a pele não receba sangue suficiente durante a cirurgia, o que pode levar à morte do tecido (necrose).
  • Risco de lesão nervosa: A anatomia normal da face fica distorcida e os tecidos endurecidos, aumentando drasticamente a chance de lesão dos nervos responsáveis pelos movimentos e pela mímica facial.

A ética acima do procedimento

A primeira regra da medicina é primum non nocere (primeiro, não causar o dano). Um bom cirurgião plástico estuda anos não apenas para saber operar, mas para saber quando não operar.

Quando um médico contraindica uma cirurgia no seu caso, ele não está frustrando o seu sonho. Ele está protegendo a sua vida, a sua saúde e a sua fisionomia.

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